Motorista é removido à força de coletivo por polícia após solicitar passagem

Na tarde de quinta-feira (6), um incidente envolvendo o motorista de ônibus Edvagner Barreto dos Santos, de 56 anos, ocorreu na Avenida Professor Celestino Bourroul, na Zona Norte de São Paulo. Ele foi retirado à força de seu coletivo por dois policiais militares.

Edvagner buzinou para uma viatura da Polícia Militar, sob a responsabilidade do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que estava trafegando lentamente. O motorista pediu passagem para manter o itinerário da linha 9653-10 da Viação Santa Brígida, que conecta Pedra Branca à Praça do Correio. Após se recusar a deixar o ônibus, afirmando não ter cometido nenhuma infração, um dos policiais utilizou força para removê-lo do veículo.

Durante a abordagem, uma passageira gritou “calma, calma”, enquanto outro passageiro registrava toda a ação em vídeo. Depois de ser levado ao 13º Distrito Policial e posteriormente liberado, Edvagner descreveu a situação como “constrangedora, mas estou bem.”

Repercussões e diferentes versões

<pO caso foi oficialmente registrado como desobediência na delegacia localizada na Casa Verde. A versão apresentada pelos policiais militares no boletim de ocorrência diverge da narrativa do motorista.

Conforme o relato oficial, os agentes estavam em patrulhamento quando notaram um homem com camiseta branca com comportamento suspeito. Este teria acelerado o passo e atravessado a via ao perceber a viatura. Ao tentar abordar esse terceiro indivíduo, os policiais alegam que Edvagner começou a buzinar repetidamente e gesticular, acusando-os de obstruir a via.

No entanto, essa justificativa contrasta com o depoimento do motorista e as imagens gravadas: ele estava trabalhando dentro do ônibus e foi removido à força após solicitar passagem no trânsito.

O Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas) manifestou sua indignação em nota, expressando estar “estarrecido e indignado com a truculência” demonstrada pelos policiais contra Edvagner e o cobrador Vilanova. O sindicato ressaltou que, independentemente das razões para as buzinadas, era essencial que o ônibus seguisse seu itinerário para transportar os passageiros aos seus destinos. A entidade classificou a ação policial como um demonstrativo de falta de empatia e uso excessivo da força.

Ainda segundo informações do sindicato, uma denúncia será protocolada com urgência na Corregedoria da Polícia Militar para investigar e responsabilizar os envolvidos no ocorrido.

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) declarou que a Polícia Militar está analisando as gravações e investigando as circunstâncias do fato. A corporação reforçou seu compromisso em não tolerar desvios de conduta.

A Polícia Civil planeja abrir um inquérito no 40º Distrito Policial e requisitar as imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos para auxiliar nas investigações.

By Fala SP

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