Uma nova proposta da Universidade de São Paulo (USP) pode posicionar o Brasil como um player importante em setores estratégicos, como o automotivo.
A PocketFab surge como uma colaboração entre a USP, o SENAI-SP e a FIESP, estabelecendo comunicação com outras entidades do setor industrial, com foco na produção de semicondutores. Esses componentes compactos, que utilizam materiais condutores como o silício, são fundamentais para regular fluxos elétricos e são essenciais para o desenvolvimento de tecnologias modernas, que vão desde eletrônicos até veículos eletrificados.
O projeto da USP visa criar uma fábrica capaz de produzir semicondutores em larga escala, introduzindo um modelo inovador para a fabricação: estruturas modulares que podem ser escaladas. A proposta inclui a instalação de 10 unidades fabris “de bolso”, com potencial para gerar até 60 milhões de chips anualmente.
Atualmente, os chips são componentes essenciais em praticamente todos os setores produtivos contemporâneos, e o Brasil apresenta uma elevada dependência das importações dessa tecnologia, especialmente da Ásia.
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Nos primeiros quatro meses de 2024, conforme dados do FGV/Ibre, o Brasil importou US$ 18,8 bilhões em suprimentos tecnológicos da China, que é responsável por 60% do total das importações brasileiras de derivados eletrônicos.
A previsão é que as vendas globais de chips atinjam US$ 1 trilhão até 2026, representando um crescimento de 25,6% em comparação ao ano anterior, impulsionadas pela demanda no mercado de Inteligência Artificial.
O conceito das “microfábricas” implementado pela USP busca estabelecer uma cadeia produtiva ágil e adaptável a nichos específicos de inovação. Essa proximidade à demanda local permite investimentos mais reduzidos e direcionados.
A intenção é fabricar chips voltados para sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS), incluindo sensores e eletrônica embarcada.
Outro segmento visado é a indústria da Internet das Coisas (IoT), que abrange objetos físicos conectados por software e internet, como dispositivos inteligentes que operam via wi-fi e bluetooth.
Além disso, chips para equipamentos médicos e diagnósticos também poderão ser desenvolvidos.
As “microfábricas” têm potencial para gerar até 500 empregos por unidade e integrar atividades de pesquisa, desenvolvimento e produção. O diferencial desse modelo está na sua modularidade e na distribuição geográfica das fábricas – atualmente estão previstos 10 polos em todo o Brasil.
A primeira unidade foi inaugurada com um investimento de R$ 89 milhões dentro do ecossistema da USP. Ela foi criada em colaboração com centros de pesquisa existentes. As futuras unidades seguirão critérios que priorizam a proximidade com centros de pesquisa, instalações do SENAI e acesso a polos industriais.
No processo produtivo, a USP ficará encarregada do design dos chips enquanto o SENAI será responsável pela prototipagem e validação das unidades fabricadas.
