Irã e o Estreito de Ormuz: O que realmente está em jogo?

Nesta sexta-feira (17), o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, comunicou que o Estreito de Ormuz está acessível para navios comerciais “durante o período de cessar-fogo”, após a mediação dos Estados Unidos que resultou em um acordo de trégua entre Israel e Líbano na capital americana.

O presidente dos EUA, Donald Trump, comemorou essa decisão, considerando-a um “dia histórico”.

Em sua plataforma Truth Social, Trump expressou: “O Irã acaba de confirmar que o Estreito de Ormuz está completamente aberto e pronto para trânsito sem restrições. Obrigado a todos!”

No entanto, a abertura do estreito vem acompanhada de certas condições que ainda não foram atendidas pelos EUA, gerando incertezas sobre a estabilidade da paz na região.

Requisitos do Irã

Conforme a declaração feita pelas autoridades iranianas, somente embarcações comerciais têm permissão para navegar pelo estreito. Navios militares estão banidos, assim como qualquer carga proveniente de países considerados hostis por Teerã.

O tráfego deve seguir exclusivamente pela rota estipulada pelas autoridades do Irã e deve ser previamente coordenado com as forças responsáveis pela navegação naquela área.

A reabertura do estreito está condicionada à manutenção da trégua no Líbano e ao término do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.

Informações da agência Tasnim indicam que a continuidade do cerco marítimo será vista como uma violação do acordo de cessar-fogo, resultando no fechamento imediato da passagem.

O Estreito de Ormuz é responsável por aproximadamente 20% do petróleo negociado mundialmente. A sua interdição, que começou após os ataques dos EUA e Israel em fevereiro, causou um aumento nos preços dos combustíveis e gerou preocupações sobre possíveis interrupções nas cadeias de suprimento energético.

Dificuldades relacionadas ao cessar-fogo

O Irã demanda o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA para sufocar sua economia. Contudo, segundo a agência Tasnim, se o cerco marítimo continuar, será considerado uma infração ao acordo de trégua, levando ao fechamento imediato da passagem.

Trump afirmou que o bloqueio continuará. “O Estreito de Ormuz está totalmente aberto e preparado para trânsito irrestrito, mas o bloqueio naval referente ao Irã permanecerá ativo”, publicou o presidente americano.

Outra questão pendente é a cobrança de pedágio em Ormuz: líderes iranianos defendem que essa prática será formalizada, enquanto os EUA contestam sua legalidade, visto que isso é crucial para a recuperação econômica do Irã.

Leia: A receita bilionária do Irã para reconstruir o país e se tornar uma superpotência do Oriente Médio

A condição essencial para a abertura atual de Ormuz foi o fim das hostilidades no Líbano. No entanto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que “o trabalho ainda não terminou” e mencionou planos em andamento contra ameaças representadas por foguetes e drones.

A trégua entre os israelenses e libaneses deve persistir por mais nove dias; não há garantias de que Israel abandonará a ocupação da região ao sul do Rio Litani.

A cidade de Beirute acusou Tel Aviv de infringir a trégua em várias ocasiões após o anúncio. O Irã também pode interromper temporariamente a abertura do estreito em resposta a ataques, conforme informações da agência Fars.

Leia: Entenda a fragilidade do acordo e o papel da pressão iraniana nas negociações

By Fala SP

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