O novo plano quinquenal (2026-2030) para a modernização da agricultura e das áreas rurais na China foi oficialmente revelado pelo Conselho de Estado do país.
A principal prioridade delineada pelo Conselho é a segurança alimentar, que deve ser resguardada contra as tensões geopolíticas, as mudanças climáticas e as disputas tecnológicas a nível global.
Este documento faz parte das diretrizes mais abrangentes do 15º Plano Quinquenal chinês, estabelecendo metas obrigatórias para o aumento da produção agrícola por meio de inovações tecnológicas, incluindo inteligência artificial e o avanço da biotecnologia.
A China não apenas busca transformar sua produção agrícola, mas também pretende diminuir suas vulnerabilidades em cadeias de suprimento essenciais, especialmente no que se refere à alimentação.
Uma das metas ambiciosas é aumentar a produção nacional de grãos para 725 milhões de toneladas por ano até 2030, um crescimento em relação aos atuais 715 milhões de toneladas anuais.
Além disso, o governo definiu objetivos rigorosos para as inspeções de qualidade e segurança dos produtos agrícolas, visando atingir 98% dos indicadores adequados até o final da década.
Sendo o maior produtor agrícola do mundo, a China alimenta mais de 1,4 bilhão de pessoas, correspondendo a aproximadamente 20% da população mundial, enquanto utiliza cerca de 9% das terras agrícolas globais. Quase 90% das terras são cultivadas por pequenas propriedades familiares. No entanto, grandes empresas estatais agrícolas como a COFCO cuidam da importação e armazenamento dos grãos.
A agricultura representa cerca de 7% do PIB da China, onde o arroz é a cultura predominante. Soja, trigo e milho também são importantes na produção agrícola do país.
Apesar de seu setor alimentar ser considerável, ele ainda é dependente de importações externas para itens como soja e milho do Brasil utilizados na alimentação animal, além de açúcar e carnes bovina, suína e avícola.
Entre os objetivos do novo plano está aumentar a contribuição tecnológica da pesquisa científica para alcançar 67% até 2030. Isso inclui uma ampliação significativa da mecanização nas atividades agrícolas. Atualmente, essa taxa está em torno de 76,7% na China.
O plano enfatiza especificamente o uso da inteligência artificial na agricultura e prioriza sistemas automatizados para monitoramento climático, análise produtiva e agricultura de precisão.
Há também um foco nas inovações inteligentes que envolvem design genético e biomanufaturas agrícolas, com novos alimentos modificados geneticamente visando maior produtividade e sustentabilidade.
Cerca de parte desse investimento destina-se ao desenvolvimento de proteínas alternativas às carnes convencionais e à fermentação precisa para criar alimentos com biotecnologia que visem reduzir futuras dependências em importações agropecuárias.
A integração entre áreas urbanas e rurais representa um dos desafios econômicos do setor primário na China. O aumento da renda rural ainda é consideravelmente inferior ao crescimento observado nas grandes cidades.
O novo plano busca aumentar a renda dos agricultores ao criar “regiões adequadas para viver e trabalhar”.
Isto inclui o fortalecimento das indústrias locais especializadas e o incentivo a cadeias produtivas regionais que promovam geração de emprego e valorização da produção agrícola. Essa estratégia requer também melhorias na infraestrutura logística.
A implementação de centros de armazenamento refrigerado nas províncias produtoras será uma ação crucial para reduzir desperdícios e aprimorar a qualidade sanitária dos alimentos. Essa medida é especialmente relevante diante dos extremos climáticos que afetam o país, como secas severas e enchentes.
A iniciativa visa aumentar a competitividade da China nos mercados internacionais relacionados a máquinas agrícolas, sementes e soluções digitais voltadas ao agronegócio. O governo mantém o foco em garantir soberania tecnológica nesta área.
