Em meio à crise envolvendo o Banco Master, o senador Sergio Moro manifestou publicamente seu apoio a Flávio Bolsonaro, uma atitude que gerou críticas e acusações de falta de coerência em relação ao ex-juiz da Lava Jato. Durante uma entrevista ao programa TMC 360, ele declarou que seu colega de partido é a única pessoa capaz de vencer Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições e minimizou o escândalo relacionado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
Além disso, Moro utilizou a estratégia de direcionar as suspeitas para o outro lado, insinuando a participação do filho de Lula, Lulinha, no escândalo do INSS. Ele mencionou que “surgiram durante essas investigações indícios do envolvimento de Fábio Luís Lula da Silva com o caso, incluindo um relacionamento comprovado com o careca do INSS, que representa os Marcos Valério dos dias atuais”, sugeriu.
Desde sua saída do Ministério da Justiça em abril de 2020, Moro tem criticado a família Bolsonaro, apontando supostas tentativas de interferência política na Polícia Federal para proteger aliados do ex-presidente. Naquele período, ele chegou a acusar Jair Bolsonaro de buscar informações sigilosas e interferir na PF em favor de seus filhos.
Retorno ao Bolsonarismo
<pAtualmente, Moro parece ter adotado um discurso mais próximo ao bolsonarismo e minimiza as questões relacionadas a Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Em sua entrevista, o senador argumentou que Flávio já havia dado explicações sobre seus encontros com o banqueiro sob investigação e preferiu criticar o governo federal: “PT é sinônimo de corrupção no Brasil”, afirmou.
Na defesa de Flávio, Moro enfatizou que a prioridade política da direita seria derrotar Lula nas próximas eleições. Ele descreveu o atual governo como um “desgoverno” e uma “tragédia moral e econômica”.
Para desviar a atenção das acusações contra seu aliado, Moro também acusou o PT de tentar deslegitimar a CPMI criada para investigar o Banco Master, afirmando que o partido governista possui um “fetiche por corrupção”.
A mudança na postura do senador gerou reações adversas entre opositores políticos e críticos nas redes sociais. Parlamentares da esquerda resgataram declarações antigas de Moro contra Jair Bolsonaro, lembrando que ele havia rompido com o ex-presidente devido à alegação de interferências na Polícia Federal para proteger Flávio Bolsonaro e outros familiares.
Inconveniências
A situação desconfortável do senador foi alvo de piadas nas redes sociais após uma coletiva onde Flávio Bolsonaro admitiu ter visitado Daniel Vorcaro enquanto este cumpria prisão domiciliar. Nas imagens daquele evento, Sergio Moro aparece ao fundo com uma expressão séria e imóvel, cena que rapidamente se tornou viral em forma de memes.
A aproximação definitiva entre Moro e o bolsonarismo se concretizou com sua filiação ao PL, partido liderado por Jair Bolsonaro. O senador busca consolidar sua candidatura ao governo do Paraná contando com o apoio do eleitorado conservador e do grupo político ligado ao ex-presidente, um movimento que intensificou as críticas sobre a coerência das posições anteriores do ex-ministro da Justiça.
