Thiago Ávila: brasileiro na flotilha Sumud enfrenta acusações de terrorismo e ameaça de pena de morte em Israel

Thiago Ávila, um dos três brasileiros envolvidos na missão humanitária pacífica da Global Sumud Flotilla, que tem como objetivo quebrar o bloqueio imposto à Faixa de Gaza, encontra-se sob a custódia do exército israelense. Ele foi capturado junto com outros ativistas em águas internacionais, próximas à ilha de Creta, na Grécia, e pode ser acusado de terrorismo pelo governo de Benjamin Netanyahu.

A confirmação dessa situação foi feita pela esposa de Thiago, a psicóloga Lara Souza, que informou não ter conseguido se comunicar com ele desde a última quarta-feira (29).

“Ele está sob a detenção das forças israelenses junto com outro ativista (sueco-espanhol). Até o momento, não recebemos nenhuma informação sobre o que acontecerá. O governo brasileiro está tentando entrar em contato, mas também não obteve respostas. Não sabemos se o navio israelense ainda está em águas gregas ou se já se afastou para águas internacionais. Estamos completamente sem comunicação desde a tarde de quarta-feira”, declarou a psicóloga.

Lara acrescentou que “o governo israelense anunciou que Thiago será interrogado sob suspeita de ‘atividades ilegais’, mas não detalhou quais seriam as alegações”. Ela também mencionou que estão em contato com o Itamaraty para solicitar assistência consular e providências para trazer Thiago de volta ao Brasil.

Além de Ávila, fazem parte da flotilha Amanda Coelho Marzall, conhecida como Mandi Coelho, ativista do PSTU e pré-candidata a deputada federal por São Paulo, e Leandro Lanfredi de Andrade, petroleiro da Petrobras Transporte e diretor do SindiPetro-RJ e da Federação Nacional de Petroleiros. Os dois estão sendo entregues ao governo grego junto com cerca de 200 outros membros da flotilha.

Enforcamento

Nesta sexta-feira (1º), o deputado João Daniel (PT-SE) protocolou um ofício urgente dirigido ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, solicitando “medidas diplomáticas em prol dos brasileiros interceptados na Global Sumud Flotilla”.

No documento ao qual se teve acesso, as informações indicam que Thiago Ávila poderá ser acusado de terrorismo em Israel e corre o risco de sofrer uma pena capital por enforcamento.

“Conforme relatos recebidos por este Gabinete, alguns ativistas estão sendo enviados à Grécia, enquanto o brasileiro Thiago Ávila pode ser levado a Israel e enfrentar um processo penal desproporcional, possivelmente enfrentando acusações indevidas sob leis antiterroristas”, descreve o ofício, que também foi encaminhado à Embaixada da Grécia.

Os relatos indicam que soldados israelenses teriam mencionado a intenção de condená-lo à morte.

Recentemente, a Knesset (Parlamento de Israel) aprovou uma legislação permitindo essa forma de punição. Nos tribunais militares — onde a maioria dos palestinos da Cisjordânia é julgada — a pena capital tornou-se uma sanção padrão. A prisão perpétua só pode ser aplicada em circunstâncias excepcionais justificadas pelos juízes e deve ser executada por enforcamento dentro de 90 dias após a sentença final.

Na noite anterior (30), o Itamaraty divulgou uma nota conjunta com os ministérios das Relações Exteriores de diversos países como Turquia, Bangladesh e Colômbia sobre os ataques israelenses à flotilha.

“Os ataques das forças israelenses contra as embarcações e a detenção ilegal dos ativistas humanitários em águas internacionais configuram graves violações do direito internacional e humanitário. Os ministros expressam profunda preocupação com a segurança dos civis envolvidos e instam as autoridades israelenses a tomarem as medidas necessárias para garantir sua libertação imediata”, afirma o comunicado.

Leia a nota na íntegra

Declaração Conjunta sobre os Ataques Israelenses à Flotilha Global Sumud, 30 de abril de 2026

Declaração Conjunta dos Ministros das Relações Exteriores do Brasil, Turquia, Bangladesh, Colômbia, Jordânia, Líbia, Malásia, Maldivas, Mauritânia, Paquistão, África do Sul e Espanha sobre os Ataques Israelenses à Flotilha Global Sumud.

Os Ministros das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil e dos demais países mencionados condenam veementemente o ataque israelense à Flotilha Global Sumud. Essa iniciativa humanitária civil busca chamar atenção para a grave crise humanitária em Gaza.

Os ataques israelenses às embarcações e as detenções ilegais configuram violação clara do direito internacional e humanitário.

A preocupação com a segurança dos ativistas civis é intensa e os ministros pedem às autoridades israelenses que adotem medidas imediatas para garantir sua libertação.

Os ministros também apelam à comunidade internacional para cumprir suas obrigações morais e legais no respeito ao direito internacional e proteção dos civis afetados por essas violações.

By Fala SP

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