O que os parlamentares ainda podem realizar nos últimos dias de mandato

A campanha eleitoral está chegando à sua fase decisiva neste setembro incomum, marcado por chuvas intensas em várias regiões do país. Com a votação se aproximando rapidamente, um candidato expressou: “Não consegui fazer quase nada!” Esse sentimento é bastante comum entre aqueles que estão à frente das campanhas no dia a dia.

No entanto, para os eleitores, o tempo parece fluir de maneira diferente quando se trata das eleições proporcionais, como as para deputado federal e estadual. Uma pesquisa recente que tive acesso evidencia essa discrepância. Enquanto apenas 10% dos eleitores estão indecisos em relação ao voto para presidente, essa porcentagem sobe para 45% entre aqueles que ainda não escolheram um candidato a deputado federal. No caso dos deputados estaduais, impressionantes 68% afirmaram não ter tomado uma decisão.

Dessa forma, os candidatos têm muito a perder ou ganhar nos dias que restam até as eleições. A situação permanece aberta: ninguém está garantido na vitória e ninguém está realmente derrotado. Ainda há tempo para realizar ações que possam reverter ou melhorar suas posições. A seguir, mencionarei três estratégias que considero eficazes. Vale ressaltar que não incluirei soluções milagrosas como “tenho um sistema que manda mensagens pelo WhatsApp para todos os eleitores do estado”, que geralmente custam muito e trazem resultados insatisfatórios.

Retorne às suas raízes – É essencial que os candidatos utilizem esses momentos finais para revisar minuciosamente suas áreas de atuação, segmentos eleitorais e temas centrais que sustentam sua força política. É nos locais onde possuem maior apoio que devem buscar votos potenciais. Embora pareça evidente, muitas campanhas têm a tendência de tentar “expandir” sua busca por eleitores.

A importância da propaganda presencial – Apesar da era digital em que vivemos, onde mensagens de WhatsApp são trocadas entre indivíduos sentados lado a lado, as interações no mundo físico continuam sendo determinantes nas eleições. Elementos tradicionais como banners, distribuição de panfletos e carros de som, mesmo considerados ultrapassados por alguns, ainda exercem grande influência (a mesma pesquisa anteriormente mencionada indicou que esses métodos representam 40% do recall relacionado à percepção das campanhas dos candidatos a deputado).

Valorize seus amigos – Embora poucos candidatos consigam contar com centenas de milhares de seguidores reais nas redes sociais (e não perfis falsos adquiridos), ter uma base sólida de amigos é um ativo eleitoral significativo. O pesquisador Robin Dunbar estima que cada pessoa possui entre 250 e 500 amigos verdadeiros (números que refletem comunidades humanas primordiais). Cada amigo representa um potencial eleitor valioso; além disso, cada um deles pode influenciar parentes e conhecidos em uma cadeia de mobilização capaz de transformar 500 amigos iniciais em mil votos. Isso pode parecer pouco, mas em todas as eleições há casos de candidatos que perderam por margens inferiores a mil votos.

Desejo boa sorte a todos e até a próxima coluna.

**Esta publicação não reflete necessariamente a posição da Revista Fórum.

By Fala SP

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