Governo Lula rejeita imposições unilaterais dos EUA em resposta a decisão de Trump sobre terrorismo

A administração de Lula emitiu uma declaração veemente em resposta à decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e CV como grupos terroristas. O governo brasileiro deixou claro que não aceitará “ações arbitrárias de outros países” que possam ser utilizadas como justificativa para comprometer a soberania e a economia do Brasil.

Esse posicionamento foi divulgado por meio de um comunicado oficial da Secom, que pode ser consultado na íntegra. Nele, é destacado que o Brasil mantém um “combate constante” contra facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e milícias, além de outras organizações criminosas.

Entretanto, o governo defende que a violência exercida por essas facções nas comunidades brasileiras visa lucro por meio de atividades ilícitas, especialmente tráfico de drogas e armas, e não deve ser confundida com terrorismo internacional fundamentado em ideologias políticas ou religiosas.

Governo critica ofensiva bolsonarista ao classificar PCC e CV como terroristas

A parte mais incisiva do comunicado se dirige à família Bolsonaro. A administração considera “lamentável” que membros desse clã retornem aos Estados Unidos para pleitear intervenção estrangeira no Brasil.

“A segurança da população é fundamental demais para ser usada como arma política por traidores que tentam distorcer esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que solicitam a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos internos brasileiros.”

Essa movimentação nos EUA acontece em um contexto em que as autoridades brasileiras reagem à categorização das facções. Celso Amorim já manifestou sua preocupação quanto ao risco de essa classificação servir como justificativa para uma intervenção externa.

O comunicado também relaciona essa ofensiva ao aumento das tarifas sobre produtos brasileiros, que, segundo o governo, trouxe prejuízos ao país. O texto enfatiza que a soberania nacional é “inquestionável” e que cabe às instituições brasileiras definir como lidar com o crime no território nacional.

Colaboração internacional contra facções é bem-vinda, diz governo Lula

Apesar das críticas à decisão dos EUA, a gestão de Lula assegura que a cooperação internacional no combate às facções criminosas é desejável. O comunicado ressalta que o crime organizado não reconhece fronteiras e demanda uma ação coletiva entre os países.

No dia 16 de abril, o Brasil apresentou ao Departamento de Estado dos EUA uma proposta voltada para cooperação em áreas como inteligência, combate à lavagem de dinheiro no exterior e tráfico de armas direcionadas ao país.

O documento também menciona o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, destacando que esta iniciativa atua contra as facções e milícias “desde suas operações nas ruas até seu alto escalão”.

Aviso sobre riscos ao PIX e à colaboração policial

A nota adverte que ações unilaterais e não negociadas podem prejudicar os esforços contra o crime organizado, diminuir a troca de informações entre as polícias e colocar vidas em perigo.

Além disso, há um alerta sobre como intervenções externas podem impactar o sistema financeiro brasileiro e inovações locais, como o PIX, que, segundo o comunicado, “perturbam interesses internacionais”.

“Em síntese, isso representa um possível retrocesso na luta contra o crime, um risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos para a nação.”

Ao contestar a designação de PCC e CV como terroristas sob os critérios estabelecidos pelos EUA, o governo Lula reitera que enfrentar o crime organizado deve ocorrer através da cooperação internacional respeitando as leis do Brasil e defendendo a soberania nacional.

By Fala SP

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