A LHG Mining, anteriormente conhecida como J&F Mineração e parte do grupo empresarial dos irmãos Joesley e Wesley Batista, está projetando um investimento de aproximadamente R$ 1,9 bilhão. O objetivo é aumentar a capacidade operacional do Terminal Privativo Gregório Curvo (TPGC), localizado em Porto Esperança, um distrito situado às margens do Rio Paraguai que movimenta minérios para exportação, triplicando sua capacidade.
Para discutir os impactos econômicos, logísticos e ambientais desse empreendimento, o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) realizará uma audiência pública em Corumbá.
O plano inclui elevar o total de embarques anuais de minério do terminal, passando de 5 milhões para até 15 milhões de toneladas. Além disso, busca-se expandir a produção mineral no estado, que deve saltar de 12 milhões para 25 milhões de toneladas anualmente.
Os investimentos totais relacionados a esse projeto alcançam cerca de R$ 4,03 bilhões.
Outro aspecto importante do investimento consiste na concessão da Malha Oeste, uma ferrovia com quase 2.000 km de extensão que conecta Corumbá (MS) a Mairinque (SP), atravessando a fronteira com a Bolívia. Essa ferrovia foi devolvida pela operadora anterior, Rumo Logística. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) autorizou no final de maio os estudos necessários para uma nova concessão que prevê integração futura com o Porto de Santos e portos nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo por meio do Ferroanel.
A concessão atual da linha operada pela Rumo tem previsão para término em julho de 2026.
No que diz respeito à hidrovia do Rio Paraguai, considerada um dos principais corredores ecológicos da América do Sul, a LHG Mining pretende utilizá-la como alternativa ao transporte rodoviário na região.
A ampliação das operações portuárias exigirá o desmatamento de cerca de 66 hectares de vegetação nativa e utilizará materiais extraídos do leito do rio para as atividades planejadas de aterramento e dragagem necessárias à manutenção da hidrovia.
Conforme indicado no Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) apresentado ao Imasul pela LHG Mining, um dos focos da expansão será a construção de uma pera ferroviária. Isso permitirá que os trens realizem manobras sem necessidade de desacoplar vagões durante operações contínuas.
Adicionalmente, novos píeres para embarque e áreas operacionais e de estocagem para minério serão construídos. A companhia afirma que os vagões que chegarem ao terminal pela Malha Oeste seriam descarregados através de um virador ferroviário, o que otimizará o tempo operacional e aumentará a capacidade logística do porto.
A operação ferroviária entre os distritos Antônio Maria Coelho e Porto Esperança está suspensa desde o final de 2025, fazendo com que o escoamento dependa predominantemente do transporte por caminhões na rodovia BR-262. Estima-se que isso envolva a circulação diária de aproximadamente 300 caminhões pela principal via da região.
Embora o projeto tenha como objetivo diminuir a intensidade do tráfego rodoviário, sua expansão ocorrerá no bioma pantaneiro e afetará o sistema hídrico do Rio Paraguai. Isso coloca em evidência a necessidade de avaliações detalhadas sobre os riscos associados às intervenções propostas.
Dentre os riscos identificados estão possíveis alterações no regime hidrossedimentológico da região pantaneira, que poderiam intensificar inundações e impactar negativamente a reprodução das espécies locais, além de comprometer a dinâmica ecológica essencial para a manutenção dos ciclos naturais desse bioma.
A audiência pública está agendada para ocorrer na próxima quinta-feira (11/6), no Centro de Convenções do Pantanal Miguel Gómez em Corumbá. Durante este evento será apresentado o Relatório de Impacto Ambiental referente à ampliação da infraestrutura portuária proposta pela empresa.
A expectativa mais significativa gira em torno da relicitação da Malha Oeste, que enfrenta desafios há anos relacionados à recuperação da infraestrutura e à definição dos investimentos necessários. O governo federal prevê um aporte financeiro para modernização dessa malha ferroviária que pode chegar até R$ 3,6 bilhões provenientes da União.
