Silêncio estratégico: Tarcísio suspende evento com Ciro Nogueira após investigação da PF envolver aliado em polêmica

A operação Compliance Zero, que colocou Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil sob o governo de Jair Bolsonaro (PL), no foco das investigações relacionadas ao caso Master, provocou agitações significativas na pré-campanha de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) em São Paulo.

Assim como Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também é pré-candidato à Presidência pelo mesmo grupo político, Tarcísio evitou comentar diretamente sobre Ciro Nogueira. Em uma declaração breve ao Estadão, ele abordou a ação da Polícia Federal de maneira genérica.

Tarcísio afirmou: “É um escândalo grave que necessita de apuração e investigação, doa a quem doer”. Ele acrescentou que “todas as pessoas envolvidas precisam ser investigadas”, sem mencionar o nome do aliado.

Embora a ação da PF tenha quase causado um impacto ainda maior na pré-campanha do governador, os planos de apoio à sua candidatura por parte de Ciro Nogueira e Antônio Rueda, presidente do União Brasil, foram adiados. O evento estava programado para segunda-feira (4), mas foi remarcado para o dia 11.

Em decorrência da operação policial, a agenda conjunta entre Tarcísio, o PP e o União Brasil foi suspensa até novo aviso.

Ciro Nogueira, um colega e aliado próximo de Tarcísio, tem enfrentado dificuldades até dentro do próprio PP paulista, onde se tornou uma figura indesejada. O ex-secretário de Segurança Pública e deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP) omitiu seu nome ao divulgar um ato relacionado à candidatura ao Senado marcado para o dia 15.

No cartaz publicado nas redes sociais, apenas Tarcísio e Flávio Bolsonaro aparecem, ignorando completamente Ciro Nogueira, que preside a mesma legenda.

Silêncio Estratégico

Nas redes sociais, tanto Tarcísio quanto Flávio Bolsonaro têm evitado mencionar Ciro Nogueira e manifestam receios sobre possíveis desdobramentos da ação da PF envolvendo Rueda, o que poderia complicar ainda mais a “união da direita” em torno do bolsonarismo.

Conforme relatos de fontes próximas, a equipe de campanha de Tarcísio decidiu cancelar a reserva feita para o espaço de eventos Vila JK, localizado na zona oeste da capital paulista, onde o ato seria realizado.

Além disso, espera-se que Tarcísio antecipe sua viagem a Brasília como justificativa para o cancelamento do evento planejado.

O governador já havia confirmado sua presença na posse do ministro Kássio Nunes Marques como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), agendada para terça-feira (12). Contudo, agora ele deve partir para Brasília no dia anterior ao evento.

Investigação Abrangente

A operação da PF revelou uma vasta rede criminosa envolvendo Ciro Nogueira e o banqueiro Daniel Vorcaro. Essa situação gerou uma crise significativa nas alianças em torno de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que está alarmado com a possibilidade de novas ações policiais contra outro aliado que recebeu mais de R$ 6 milhões no esquema do Banco Master.

Esse aliado é Antônio Rueda, presidente do União Brasil e parceiro político de Davi Alcolumbre (União-AP), que recebeu R$ 6,4 milhões através de seu escritório jurídico.

Rueda declarou em nota que seu escritório executou “diversos pareceres e inúmeras reuniões” para justificar o expressivo pagamento recebido do Banco Master. Isso ocorreu dois dias depois dele ter afirmado em entrevista não ter qualquer relação com Vorcaro.

No comunicado oficial, Rueda admitiu manter “contatos sociais eventuais” com Vorcaro, assim como ocorre com várias figuras políticas e empresariais. Entretanto, transcrições de diálogos entre Paulo Henrique Costa, então presidente do BRB, e Daniel Vorcaro revelam uma comunicação direta entre eles.

No contexto das investigações, ficou evidenciado que Rueda viajou com Ciro Nogueira em um helicóptero pertencente a Vorcaro para assistir ao Grande Prêmio de São Paulo durante um evento da Fórmula 1. Essa informação foi confirmada por meio de um e-mail interceptado pela PF.

Sabe-se também que Rueda foi apresentado a Vorcaro pelo ex-presidente do BRB após uma conversa intermediada entre ambos durante troca de mensagens monitoradas pela polícia. Relatos indicam que ele teria afirmado a interlocutores que conseguiria bilhões para facilitar a venda do BRB — banco estatal no centro das investigações relacionadas ao caso Master.

Além disso, ACM Neto – atual vice-presidente do União Brasil – também recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master e da Reag, empresa ligada ao pastor Fabiano Zettel e cunhado de Vorcaro. Esses valores foram transferidos a Neto logo após as eleições de 2022 entre março e maio deste ano. O ex-prefeito afirma que esses recursos são referentes a serviços prestados como consultoria.

Líder do PP é flagrado em situação comprometedora

Nesta quinta-feira (7), Dr. Luizinho (RJ), líder do PP na Câmara dos Deputados, foi visto tentando sair discretamente da casa de Ciro Nogueira logo após a operação da Polícia Federal realizar buscas ali.

Ainda que não seja alvo das investigações atuais, Dr. Luizinho foi capturado pelas câmeras abaixando-se dentro de um veículo na tentativa aparente de evitar identificação. No entanto, essa manobra foi registrada por jornalistas presentes no local.

Após as imagens serem divulgadas amplamente na mídia social, Dr. Luizinho se defendeu alegando não estar tentando se esconder. Porém não esclareceu os motivos pelos quais se encolheu no carro durante sua saída.

“Visitei hoje à tarde o presidente Ciro Nogueira em sua residência para expressar minha solidariedade não apenas como correligionário mas como amigo”, escreveu ele nas redes sociais. “Entrei e saí no carro dele pela entrada principal da casa (com muitos jornalistas à frente) em um veículo sem insulfilm praticamente. Minha decisão de não conceder entrevistas ou fazer comentários na porta não significa que eu estivesse tentando sair escondido”, completou o líder do PP.

By Fala SP

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