Na última terça-feira, dia 30 de junho, a Revista Fórum promoveu o evento Diálogos para o futuro: o Brasil em 2050 na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O encontro reuniu diversas lideranças políticas, acadêmicas e institucionais para debater os rumos do desenvolvimento no Brasil, centrando-se em quatro temas principais: transição ecológica, inovação e neoindustrialização, desenvolvimento social e democracia digital.
A iniciativa contou com a colaboração da UFRJ e recebeu apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Governo Federal, da Vale e da Prefeitura de Maricá (RJ).
A gravação completa do evento está disponível no canal da Revista Fórum no YouTube.
No início dos painéis, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, abordou aspectos essenciais para a soberania do Brasil nas próximas décadas. Segundo ele, essa soberania deve ser avaliada não apenas pela extensão territorial ou recursos naturais, mas também pela capacidade de gerar ciência, dominar tecnologias estratégicas e formar cidadãos altamente capacitados. Medronho destacou que a inovação deve se traduzir em melhorias concretas na vida das pessoas.
“Um país que não investe na ciência acaba por depender da inteligência de outros”, afirmou Medronho. Ele acrescentou que “uma nação que ignora tecnologias críticas se torna vulnerável nas cadeias globais de valor. Ademais, um país que não integra universidades, institutos de pesquisa e o setor produtivo perde a chance de converter suas riquezas naturais, culturais e humanas em desenvolvimento social”.
Embora o Brasil possua uma sólida base pública composta por pesquisadores e instituições educacionais, o modelo atual de financiamento à pesquisa no país é considerado obsoleto. Este sistema é caracterizado por editais fragmentados, orçamentos dispersos e uma competição excessiva entre grupos.
“O Brasil necessita de recursos para projetos robustos e estratégicos que promovam parcerias entre centros emergentes e estabelecidos”, destacou Medronho. Ele enfatizou a importância de priorizar questões críticas como transição energética, agenda climática, semicondutores, aprimoramento do sistema de saúde e proteção da biodiversidade. “A UFRJ desempenha um papel fundamental nesse processo”, concluiu.
A pró-reitora de Extensão da UFRJ, Ivana Bentes, elogiou a Revista Fórum como um “veículo importante no combate às questões políticas brasileiras” e um dos principais meios independentes de comunicação do país.
Bentes propôs uma questão central para iniciar os debates: “Qual Brasil queremos construir até 2048?” Para encontrar respostas, é crucial avaliar como as instituições de ensino superior impactam os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), metas estabelecidas pela ONU para erradicar a pobreza, proteger o meio ambiente e garantir a paz até 2030.
Nessa linha, Bentes mencionou três objetivos notáveis propostos pelo Brasil: ODS 18 sobre igualdade étnico-racial; ODS 19 referente à arte, cultura e comunicação; além de um terceiro ODS ainda em análise que visa afirmar os direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais.
No portal Brasil Participativo é possível acompanhar como estão sendo implementadas essas metas no contexto brasileiro.
<pPara dar início aos debates, Renato Rovai, jornalista e fundador da Revista Fórum, relembrou a relevância dos meios de comunicação livres na elaboração de um projeto futuro comum para o Brasil.
“Quando discutimos o futuro, muitas vezes falamos sobre um ideal utópico. Sonhar é importante, mas precisamos trabalhar juntos na construção desse futuro”, afirmou.
A UFRJ já sediou há 18 anos o Fórum Mundial de Mídia Livre (FMML), em colaboração com a Revista Fórum. Essa iniciativa reúne ativistas e defensores da democratização da comunicação com foco na paz e no combate à hegemonia midiática dentro das edições itinerantes do Fórum Social Mundial (FSM).
A Revista Fórum surgiu durante o FSM em 2001 na PUC-RS. Em 2026 completará 25 anos desde sua primeira edição impressa com uma tiragem inicial de 20 mil exemplares.
“O objetivo era criar um veículo que pudesse dialogar amplamente sobre democracia”, comentou Rovai. “Pensar sobre o futuro do Brasil hoje significa reflectir sobre aquele Brasil que almejamos desde 2001 e que estamos construindo coletivamente. Queremos estabelecer um modelo para toda a América Latina e o mundo”, finalizou.
A proposta do evento Brasil 2050 foi desenvolvida com a intenção de abordar desafios futuros das próximas gerações “para não chegarmos em 2050 enfrentando os mesmos problemas que temos hoje ou até piores”.
Acompanhe a programação completa do evento:
Painel 1 – Transição ecológica
Mediação: Dri Delorenzo, editora executiva da Revista Fórum
- Tereza Campello – Diretora Socioambiental do BNDES; ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; reconhecida formuladora de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades sociais no Brasil.
- Suzana Kahn – Diretora da COPPE/UFRJ; especialista em engenharia com atuação notável na formação e desenvolvimento tecnológico inovador.
- Renato Janine Ribeiro – Filósofo; professor titular na USP; ex-ministro da Educação; ex-presidente da SBPC, principal entidade científica do Brasil.
Painel 2 – Inovação, competitividade e neoindustrialização
Mediação: Miguel do Rosário, jornalista e editor do O Cafezinho
- Gabriel Medina – Secretário Estadual de Ciência e Tecnologia no Rio de Janeiro; focado no fortalecimento da inovação tecnológica.
- Sérgio Amadeu – Sociólogo; pesquisador; professor na Universidade Federal do ABC.
- Denis Maracci Gimenez – Professor livre-docente no Instituto de Economia da Unicamp; coordenador nacional do projeto “O Brasil no Século XXI” junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
- Marília Marcato – Assessora da presidência do BNDES; professora no Instituto de Economia da UFRJ.
Painel 3 – Desenvolvimento social
Mediação: Ingrid Gerolimich; psicanalista; socióloga; documentarista; escritora.
- Daniel Cara – Professor na USP; coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação; defensor destacado da educação pública qualificada no Brasil.
- Antonio Grassi – Diretor-presidente da MARÉ (Maricá Arte Roteiro Experiências); atua nas áreas cultural e gestão pública.
- Carlos Gabas – Ex-ministro da Previdência Social; atual secretário-executivo do Consórcio Nordeste; atuante em políticas públicas regionais.
- René Silva – Fundador do Voz das Comunidades.
Mesa 4 – Democracia, Comunicação e Inteligência Artificial
Mediação: Keffin Gracher; jornalista; sociólogo; secretário de Comunicação em Maricá (RJ).
- Nina da Hora – Cientista da computação; diretora do Instituto da Hora; referência nos debates sobre tecnologia ética e inclusão digital.
- Renata Mielli – Jornalista; coordenadora do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br); destaque nas políticas de governança digital.
- Ivana Bentes – Professora titular na UFRJ; pesquisadora reconhecida nas áreas comunicacionais culturais tecnológicas.
- João Brant– Secretário responsável por Políticas Digitais na Secom com ampla experiência em comunicação pública digital .
