A pré-candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet (PSB), não hesitou em criticar Paulo Figueiredo, chamando-o de “idiota” após ele fazer uma declaração misógina sobre o voto feminino. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, ela classificou a afirmação como extremamente séria.
Figueiredo, que é neto do ex-ditador João Figueiredo e próximo de Eduardo Bolsonaro, comentou que as mulheres tendem a “votar mal”, com ênfase particular nas eleitoras solteiras. Essa declaração intensificou a crise no círculo de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à Presidência por partes da extrema direita, e suscitou reações de mulheres de diversas esferas políticas.
“Muitas pessoas estão me pedindo para comentar sobre esse vídeo repugnante, desse… não tem outro termo, né? Idiota, que é o braço direito do candidato à Presidência da República, que fala sobre o papel das mulheres na sociedade”, declarou Tebet.
Simone Tebet alerta para o discurso de Paulo Figueiredo
No mesmo vídeo, Tebet destacou que a crítica feita por Figueiredo ao voto feminino é uma tentativa de trazer ao Brasil uma concepção extrema da política dos Estados Unidos, onde apenas o “chefe da família”, geralmente o marido, deveria ter uma voz proeminente na esfera pública.
“Isso não é apenas sério; é gravíssimo! Não há um mero sinal amarelo aceso, mas sim um sinal vermelho gritando”, enfatizou a ex-ministra.
A ex-ministra também apontou que as palavras de Figueiredo visam rebaixar as mulheres a uma posição inferior. Ela associou esse discurso à defesa de um modelo que busca limitar a participação feminina na democracia.
“Ao afirmar que mulher não sabe votar, ele tenta trazer para cá um modelo que está se fortalecendo nos Estados Unidos pela extrema direita, onde apenas uma pessoa – o chefe da família – deve ter voz nas questões democráticas”, comentou.
Trajetória de Simone Tebet e os desafios das mulheres na política
Tebet utilizou sua própria trajetória política como exemplo das barreiras enfrentadas pelas mulheres em posições de poder no Brasil. Ela recordou que foi a primeira mulher a assumir a prefeitura de Três Lagoas, a primeira vice-governadora do Mato Grosso do Sul e também a primeira mulher a presidir a Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Além disso, destacou ter sido pioneira como candidata à Presidência do Senado em dois séculos de história da Casa.
Ela ressaltou ainda ser a primeira mulher em seu partido anterior a concorrer à Presidência da República e também foi líder da bancada feminina no Senado. Para Tebet, essas “primeiras vezes” evidenciam as dificuldades em romper barreiras nesse meio.
“Querem nos fazer voltar para dentro de casa. Voltar para dentro de casa pode ser uma escolha digna para uma mulher: ser mãe ou dona de casa”, afirmou.
Novo capítulo na crise envolvendo Flávio Bolsonaro e as mulheres
A declaração feita por Paulo Figueiredo se deu em meio à turbulência na pré-campanha de Flávio Bolsonaro, após comentários negativos sobre Michelle Bolsonaro e o voto feminino. Informações revelaram que Figueiredo atacou Michelle ao afirmar que “mulher vota mal, especialmente as solteiras”.
Flávio Bolsonaro tentou se distanciar dos comentários feitos por Figueiredo. Em outra situação relacionada, foi noticiado que ele repudiou as palavras do aliado e expressou seu respeito por Michelle.
A crise continuou a se agravar entre os bolsonaristas. Foi revelado que Felipe Cruz Pedri, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, apoiou as declarações de Figueiredo ao caracterizar o feminismo como um “câncer contra a masculinidade”.
No final do vídeo, Tebet fez um apelo aos homens para se posicionarem contra a misoginia e destacou que essa resposta deve ser refletida também nas eleições.
“95% dos homens brasileiros não compartilham dessa visão. Portanto, unam-se a nós e deixem claro agora e nas urnas que o lugar da mulher é onde ela desejar estar. Em uma democracia, homens e mulheres colaboram juntos”, concluiu.
